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B

E

M

V

I

N

D

O

AFLUENTE

De teus olhos noturnos luz do farol

vigia meu mar sem fundo sem fundo

tua mão segura meu sonho de sol

asa parada teu sorriso sobre o mundo

 

o que passa porque vai embora

haverá outro tempo que espera

esta paisagem não é de agora

só em ti, algo é o que era

 

e vivo da poesia do teu olhar

tenho uma vida inteira para aprender

que não se aprende a viver, pois não?

 

do amor a sombra fora do lugar

como é possivel impossivel ser

no entanto matas minha solidão

 ATROPELO

 

Nem corcel nem centauro nem dragão

nem unicórnio. No meu sonho telúrico

tudo rola como pedras soltas do chão

e em mim se afunda o mar. Trágico

 

afluente de escarpa sem abismo

avalanche prometida, e sem paixão

não corre o rio. Ponte de egoísmo

sem margem sem lua. Solidão

 

ignorada. Vislumbre do que arde

nos teus olhos. Manhã aprisionada

sem limites para ultrapassar

 

de correnteza e vendaval, a tarde  

que era minha, me deixou, sem nada,

e a vida corre para me alcançar.

 

Reversos
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